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Educação

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Tanto Marcos quanto Alex têm histórias que se aproximam muito das histórias dos garotos das periferias de todo o Mundo.

Alex nunca se envolveu com a “vida louca”, mas já viu de perto o que acontece “nas quebradas” – perdeu amigos, parentes.

Já Marcos foi mais fundo. Morador do Parque Santo Antônio – que, ao lado do Jardim São Luis e Jardim Ângela, forma uma espécie de triângulo da violência na periferia da Zona Sul –, começou a realizar pequenos furtos aos 14 anos. Aos 16 já ajudava na preparação de papelotes de cocaína. Passava a maior parte do tempo na rua. “Falava pro meu pai que ia pra casa da minha mãe e vice-versa.” O dinheiro foi entrando – “muita grana mesmo” – e junto vieram a polícia para fazer “acordos”, e traficantes rivais “pra dar tiro na gente aqui na quebrada.” Nesse bang bang da vida real as pessoas começaram a morrer. “Em uma semana perdi três amigos”, lembra.

Na mesma época, uma amiga – que nada tinha a ver com o crime – foi assassinada numa emboscada. “Aí perdi o chão. Fiquei com medo de morrer”.

A partir disso, o primeiro passo foi procurar a Casa do Zezinho, instituição de apoio a crianças e jovens em situação de risco que atua também no Capão Redondo. “Lá conheci a literatura. Li Capão Pecado, do Ferréz - lançado em 2000 e reeditado este ano pela Planeta do Brasil- e virei fã dele– numa tal proporção que onde ele tava eu ia atrás.” Uma década depois, a vontade de oferecer a mesma ajuda a outros jovens levou Marcos a buscar trabalho em outra instituição da região, o Instituto Rukha.

Conheceu, então, o amigo e parceiro Alex.

O SONHO NÃO MORREU

Em 2011, no entanto, o Rukha encerrou as atividades por falta de patrocínio. Mas esse fim se mostrou um novo começo. “A gente sempre falava para os jovens no antigo instituto que palavra de homem não faz curva”, afirma Marcos, usando uma expressão que indica compromisso com o que foi dito. “Não iríamos deixar os moleques”.

Assim, a dupla conseguiu dinheiro para custear os primeiros seis meses do novo projeto –“mas a gente segurou tanto o dinheiro que ele durou oito... (risos)”, diz Alex.

Os jovens atendidos pelo Rukha foram convidados a seguir no Projeto Sonhar, atualmente mantido pelo Afroreggaee por empresas privadas. Além dos encontros e encaminhamentos, o projeto também oferece cursos de inglês, violão e ajuda na recolocação profissional. Os números podem ainda não impressionar, mas como diz o provérbio escrito numa parede na sede do Sonhar: “Gente simples fazendo coisas pequenas em lugares pouco importantes conseguem mudanças extraordinárias”.

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