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Educação

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A Casa do Zezinho teve origem no trabalho da pedagoga Dagmar Rivieri Garroux, nos anos 70, em sua experiência voltada para crianças com traumas circunstanciais (filhas de refugiados políticos de zonas de conflito e de ditaduras na América Latina) ou com problemas de aprendizagem, em bairros da zona sul da cidade de São Paulo (Vila das Belezas, Parque Arariba e Vila Ernesto). Dagmar mostrava e apresentava estas crianças a outras crianças vivendo um trauma permanente: o da miséria resultante de 500 anos de exclusão social, que participavam do trabalho social que ela desenvolvia numa favela próxima de onde morava – a Favela do Fedô, no Morro da Lua, zona Sul de São Paulo.

No início da década de 1990, Tia Dag, como é chamada por todos, e seu marido Saulo compraram uma casa para morar, no Parque Maria Helena. Neste período, passaram a se reunir com um grupo de pessoas que conheciam desde os tempos de faculdade, tempo de muita luta política e de sonhos de justiça social. Este grupo tinha (e ainda tem) em comum a crença na educação como único meio de transformação social. O sonho da Tia Dag, de ter uma casa de formação, educação e desenvolvimento humano para crianças de baixa renda, passou a ser o sonho do grupo e com o início da Casa do Zezinho esse sonho começou a se concretizar. A casa comprada por Tia Dag para morar transformou-se na primeira sede da Casa do Zezinho – a moradia podia esperar.

Com 7 crianças fazendo atividades de arte (cerâmica e reciclagem de papel) iniciou-se a Casa do Zezinho, em setembro de 1993. Quem dava as aulas era Tia Dag, auxiliada por 2 ou 3 voluntários do grupo de fundadores, que também custeavam o lanche que era fornecido às crianças.

"Em 1993, realizávamos atividades com as crianças (7 que passaram a 12) apenas 2 vezes por semana, no período da tarde. As atividades desenvolvidas eram as de complementação escolar, necessidade fundamental de crianças que frequentam escolas públicas de periferia, em função da escassez de recursos de aprendizagem. Além disso dávamos aulas de modelagem em cerâmica, atividade que contribui para o equilíbrio emocional das crianças, facilitando seu aprendizado, suas conquistas e seu posicionamento no mundo."

Instituída como Cooperativa Educacional e Assistencial em 06 de março de 1994, as vagas foram ampliadas para 20, no primeiro semestre, e 30 no segundo. As atividades, ainda só no período da tarde, foram sendo gradativamente estendidas aos 5 dias da semana e, como as crianças chegavam mal alimentadas, passaram a ter o almoço antes do início das atividades, além do lanche oferecido à tarde. No início, o almoço era responsabilidade do voluntário do dia. Com o aumento no número de crianças, a Casa do Zezinho passou a contar com mais voluntárias que se revezavam na cozinha para fazer a comida.

Em 1995 manteve-se a mesma estrutura, apenas com um número maior de crianças atendidas: 50 no primeiro semestre, chegando a 75 até o final do ano. Nesta época, a casa já estava pequena para a quantidade de crianças. Já não era mais possível ficarem todos na mesma sala de atividades, o grupo precisava ser dividido: enquanto uma parte das crianças ficava em atividades na sala de aula, outra parte ficava no pátio, ou em outra sala improvisada. Com isso, houve necessidade de um número maior de voluntários e da presença de uma pessoa fixa na cozinha, para fazer o almoço e o lanche.

Para o início das atividades em 1996, a casa precisou passar por uma reforma para acomodar todas as crianças matriculadas. Começou a se esboçar, então, a atual estrutura de funcionamento, com atividades em período integral (para grupos diferentes de crianças, conforme o horário em que frequentavam a escola) e a divisão das crianças em 3 grupos, baseados em critérios de nível de aprendizagem, maturidade e desenvolvimento bio-psicopedagógico.

Esta fase foi um marco para o processo de crescimento da Casa do Zezinho: a partir daí já houve a necessidade cada vez maior da presença de voluntários mais estáveis, cada um deles desenvolvendo atividades com um dos grupos de crianças, e estes grupos se revezando nos espaços disponíveis: 3 salas de atividades e um salão maior (a biblioteca e sala de vídeo). Para as pessoas que trabalhavam com as crianças desde o início, em situação muito mais improvisada, essa mudança foi maravilhosa. Entretanto, o espaço já estava pequeno. Surgiu a oportunidade de alugar um terreno, quase em frente à Casa, onde foi construída uma quadra, em sistema de mutirão, que é usada até hoje pelas crianças e adolescentes para atividades esportivas e recreativas.

Esta quadra, atualmente, também serve à comunidade: há vários grupos de jovens da comunidade para os quais a Casa do Zezinho cede a quadra para jogos e treinos. Com relação às refeições oferecidas, também houve uma ampliação: além do almoço e do lanche da tarde, passou a ser fornecido café da manhã ou lanche, no período da manhã. Foi ainda neste ano (em fevereiro), que se iniciou a construção da nova sede, em terreno no mesmo quarteirão da primeira sede, comprado e doado à Casa do Zezinho em julho de 1995, por um grupo de empresários. Até essa época, para manutenção das despesas, a Casa do Zezinho contava com as contribuições dos cooperados e doações de empresas ou pessoas físicas, além da realização de alguns bingos, bazares e rifas. No final desse ano e sob a liderança da Tia Dag, o grupo de voluntários mais antigo formatou o Projeto Cidadania, projeto pedagógico que embasou a proposta educacional e as atividades da Casa do Zezinho, a Pedagogia do Arco Íris. Já havia, na época, experiência acumulada e consistência para a elaboração e sistematização do projeto que vinha sendo trabalhado com as crianças.

Durante o ano seguinte, 1997, iniciou-se a implantação do Projeto Cidadania em alguns de seus aspectos, mas ainda faltavam educadores para sua implantação total. Foi também neste ano que as vagas chegaram a 180, capacidade máxima da antiga sede. Foram 2 anos (97 e 98) de implantação gradativa e consolidação do Projeto como um todo.

A partir de 1999 iniciou-se a etapa de implantação das Oficinas Culturais, de Capacitação Profissional e Espaços de Aprendizagem, que complementaram o Projeto Cidadania, já preparando a Casa do Zezinho como um todo para a ocupação da nova sede. Passaram a existir os setores de Projetos e de Comunicação e Marketing, com o objetivo de divulgação e captação de recursos, função que era desempenhada até então por voluntários do grupo original.

Em 2000 uma nova fase teve início: inaugurada a nova sede, foi ampliado o atendimento para 300 crianças/adolescentes, com atividades de 2ª a sábado e fornecendo mais refeições (café da manhã, almoço e lanche). Neste ano a lista de espera teve um crescimento impressionante: chegou ao número de 1.200 crianças/adolescentes. Em 2001 as vagas aumentaram para 520, o que se manteve também em 2002, com a mesma estrutura de atendimento. Em 2003, com o trabalho já consolidado e o aumento da lista de espera para cerca de 2.000 nomes, pudemos ampliar o atendimento para 1.000 crianças/adolescentes, através do início dos Ateliês Livres, nos quais passamos a oferecer 500 vagas em sistema de rodízio (frequentados 2 ou 3 vezes por semana pelos participantes), além da manutenção do atendimento diário oferecido aos 520 Zezinhos já matriculados.

Em 2004 foi ampliado um pouco mais o atendimento, oferecendo um total de 1.200 vagas, 50% para crianças e adolescentes que frequentavam a Casa diariamente, e os outros 50% no sistema de Ateliês Livres. Neste mesmo ano, a natureza jurídica da Casa do Zezinho foi mudada, de Cooperativa para Associação, mantendo a finalidade não lucrativa – o formato jurídico de associação correspondia melhor às características da instituição e do trabalho desenvolvido. Entre 2005 e 2007 o número de vagas foi mantido.

Em 2008 foi mantido o atendimento para o mesmo número de crianças, adolescentes e jovens (1.200) em todos os dias da semana, sendo acrescentadas atividades também aos sábados, o que se manteve em 2009 e 2010. Em 2011 a Casa do Zezinho passou a oferecer turmas de preparação para o ENEM e vestibular no período noturno para jovens adultos com Ensino Médio concluído, de forma a aproveitar melhor os espaços da casa e oferecer ainda mais oportunidades para a comunidade e famílias do bairro e vizinhanças – nasceu o Projeto Vagalume.

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